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sábado, 23 de junho de 2018

Iluminando as Sombras da Culpa

Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.”
As sociedades ocidentais carregam uma profunda relação com o sentimento de culpa. Encontramos sua raiz no Catolicismo Romano, na qual a morte de Cristo é de responsabilidade de todos, afinal, ele veio e nós e o matamos. A influência maciça da Igreja Católica, principalmente na Idade Média, contribuiu e ainda contribui para a formação subjetiva de milhares de pessoas.

“Por minha culpa, minha tão grande culpa "– (Ato Penitencial)


O espírito é imortal e a reencarnação permite que ele utilize o invólucro carnal quantas vezes forem necessárias para a sua evolução. Posto isso, é de se pensar que um sentimento tão forte como o da culpa acompanhe o espírito por várias encarnações, tanto pelo delito cometido quanto pela construção subjetiva que o espírito faz dele. Essa concepção do ato, a carga emocional que o espírito atribui, é mais importante do que o ato em si, pois ela determina o quanto o espírito vai se envolver para elaborar a situação. A ideia da morte de Cristo é consideravelmente simbólica nesse sentido, pois mesmo não tendo ligação direta com o ato, milhares de pessoas se percebem estruturalmente como pecadoras pela crucificação. Ao compreendermos a imortalidade do espírito, a questão da culpa adquire proporções ainda maiores, e que nos ajudam a entender porque ela é um dos maiores objetos de estudo da Psicologia Moderna. Freud vai encontrar na culpa uma das bases estruturantes do psiquismo e da formação do Inconsciente. O complexo de Édipo, determinante para a construção da personalidade do sujeito, tem como ponto central o recalque, que é quando o sujeito reprime e “joga” para o Inconsciente as ideias incompatíveis com o eu. Porém, essas ideias continuam presentes no Inconsciente do sujeito, e com elas, a culpa por tê-las. E a forma como o sujeito vai lidar com isso poderá gerar sintomas e (muito) adoecimento.Freud não conhecia o Espiritismo, mas suas teorias a respeito do Inconsciente contribuem bastante para entendermos os processos do Espírito. De certa forma, o que Freud chamou de Inconsciente -aquilo que existe no sujeito, faz parte dele, influencia diretamente sua vida, mas que ele não tem acesso direto- o Espiritismo pode chamar de memória da alma. Quando reencarnamos, recebemos o véu do esquecimento que não nos permite ter acesso ao que fomos em vidas anteriores, porém, nossa personalidade e nossa vida sofrem influência direta de nossos atos de outras épocas. E ela, a culpa, bem como a forma que lidamos com ela, está diretamente presente nisso. O que seria, afinal, a culpa? Em resumo, o sentimento de culpa (e aqui é importante frisar que se trata do sentimento, e não do ato de culpa, que cabe a Justiça e vem como penalização) é o sofrimento obtido após reavaliação de um comportamento passado tido como reprovável por si mesmo. A base deste sentimento, do ponto de vista psicanalítico, é a frustração causada pela distância entre o que não fomos e a imagem criada pelo superego daquilo que achamos que deveríamos ter sido. É na consciência que surge a culpa, mas essa não é necessariamente a função da consciência. Ao percebermos que cometemos um erro, devíamos passar diretamente para o estágio do arrependimento – a necessidade íntima de corrigir o que foi feito, ou, se isso não for mais possível, pelo menos compensar de alguma forma. Mas às vezes a consciência estaciona no sentimento de culpa. O sentimento de culpa é o colapso da consciência. Muitas pessoas acreditam que culpa e arrependimento são a mesma coisa, mas não são. O arrependimento pressupõe ação, pois é o ímpeto de cometer ação contrária à que ocasionou sua tristeza. O arrependimento é a dor sentida pela dor causada. Por isso o arrependido desenvolve o firme propósito de não repetir o erro, de reparar o dano causado ou de compensar o erro com acertos. O espírito arrependido está em processo de autocura.É o arrependimento que nos leva a nos comprometermos com o reajuste em relação a outros espíritos. É o arrependimento que norteia os rumos parcialmente traçados antes de nosso reencarne. Mas para o espírito evoluir, só o arrependimento é suficiente? No livro "O Céu e o Inferno", Kardec nos diz que Arrependimento, expiação e reparação são as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza as dores da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. A expiação envolve o sofrimento pelo qual se expia uma falta cometida. Na expiação, o espírito vivencia aquele mal causado a outrem, de forma que através dessa experiência ele resgate a falta cometida e vivencie a dor que um dia infligira a alguém.Pode-se considerar como expiações as aflições que provocam queixas e impelem o homem à revolta contra Deus, explica "O Evangelho segundo o Espiritismo".Joanna de Ângelis conceitua que, na prova, matriculamo-nos na escola para aprender, e que na expiação nos internamos no hospital para sofrer. E é exatamente isso que acontece. O planeta tanto é um educandário, como também um hospital, ambos sempre abertos para nos acolher. Emanuel afirma que “a provação é a luta que ensina ao discípulo rebelde e preguiçoso a estrada do trabalho e da edificação espiritual. A expiação é a pena imposta ao malfeitor que comete um crime”. A reparação consiste em fazer o bem a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros nesta vida por fraqueza ou má vontade, achar-se-á  numa existência posterior em contato com as mesmas pessoas a quem prejudicou, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes o seu devotamento, e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito, eluciada Allan Kardec em "O céu e o inferno".Existe um ponto fundamental nesse processo evolutivo: o auto perdão. Conseguiremos o perdão do outro se nós mesmos não nos perdoamos pelo que fizemos? Perdoar-nos é não nos apegarmos ao que fomos, pois a renovação está no instante presente e o que importa é como somos agora e quais são as determinações atuais para o nosso progresso espiritual.
Por isso Deus nos concede um novo dia, uma nova vida, um novo corpo: para recomeçarmos!
Tags: Joana de Ângelis





O QUE É ESPIRITUALIDADE

O QUE É ESPIRITUALIDADE


Espiritualidade não é uma religião, não é uma doutrina, não é o sacerdócio, não é uma crença e nem uma opinião.
Espiritualidade é um modo de vida, é um estado de espírito, é uma abertura mental, é uma aspiração à transcendência.
Espiritualidade é sentir arder uma chama interior que ilumina nosso caminho no caos e nas trevas que vivemos no mundo.
Espiritualidade é a confiança expressa nas palavras “Ainda que eu ande pelo vale da sombra e da morte, nada temerei.”
Espiritualidade é entender que somos como crianças tomando uma vacina, que machuca muito na hora, negamos, gritamos e esperneamos, mas que depois imuniza nosso espírito.

Hábitos de pessoas extremamente empáticas 1
Espiritualidade é ir além, é a consciência de que a vida não se encerra na morte, de que é preciso haver continuidade dentro da descontinuidade. De que tudo que começa, termina; tudo que nasce, morre; tudo que vai, volta. De que para cada problema há uma solução, para cada lágrima derramada há sempre um consolo e para cada perda há sempre um ganho.
Espiritualidade é reconhecer um propósito em todas as coisas, e recusar a existência da sorte, do azar e do acaso. É ter paciência e confiar que, um dia, o significado de tudo será desvendado.
Espiritualidade é dar de si mesmo, é renunciar ao pequeno para obter algo maior, é abdicar de nossas pequenas posses para ganhar tudo o que sempre nos pertenceu. É fazer das florestas do mundo nosso jardim, é fazer do céu o nosso teto, é fazer dos mares e rios a nossa piscina, é fazer da Terra a nossa casa. É cuidar do tudo, de cada ser e coisa, e não apenas de nossos escassos bens terrenos.
Espiritualidade é ver por dentro, é não se deixar levar pelas aparências, é reconhecer o essencial em cada mínimo aspecto da vida, é satisfazer-se com pouco para obter muito, é rasgar o véu da ilusão e desejar entender o mistério da vida.
Espiritualidade é pedir pouco e agradecer muito. É dar muito e nada pedir em troca. É fazer sem esperar retribuições. É perdoar, é arrepender-se, é refazer, é renovar, é reaprender a ver o mundo e a si mesmo.
Espiritualidade é fazer do seu professor o lírio do campo, as árvores ao vento, a tempestade nebulosa, o orvalho numa flor, a borboleta esvoaçando, o rio fluindo, os pássaros cantando. É aprender com a mais insignificante criatura.
Espiritualidade é deixar o humano morrer para o divino nascer. É trazer o céu para a Terra. É viver na Terra o céu que desejamos após a morte. É debruçar-se no inferno resgatando as almas perdidas e errantes. É ser uma luz no meio da escuridão.
Espiritualidade é dormir quando se tem sono, é comer quando se tem fome, é olhar a montanha e ver a montanha, é molhar as mãos no rio e sentir o frescor das águas, é ver aquilo que está ali, é não intelectualizar tudo, é sentir a essência das coisas e mergulhar na essência da vida.
Espiritualidade é estender a mão aos que sofrem, é dar conforto aos que choram, é dar abrigo aos sem teto, é dar conselhos aqueles que se perderam, é esclarecer aqueles que têm dúvidas, é dar de si mesmo em prol de todos, é fazer o bem pelo bem, é morrer pela verdade para renascer na plenitude.
Espiritualidade é dispensar as palavras e os discursos fúteis e navegar nas paragens do silêncio interior. É aprender a ouvir a vida, a ouvir a si mesmo, a diminuir a corrente dos pensamentos, é tranquilizar o turbilhão das emoções, é fazer circular as energias, é deixar tudo fluir.
Espiritualidade é viver na simplicidade, naturalidade e na espontaneidade. É libertar-se de tudo o que é passageiro, perecível, transitório. É mergulhar na vida sem medo, sem travas, sem amarras, sem correntes, sem bloqueios. É viver, e apenas viver, sentindo a vida como ela é. É não precisar de nada, não depender de coisa alguma, não se deixar influenciar pelas marés agitadas da confusão.
Espiritualidade é libertação, é humildade, é fé, é amor e é esperança.

QUEM É O OBSESSOR

QUEM É O OBSESSOR
Foto de Gregori Frezza Palavre.
Muitas pessoas religiosas acreditam em espíritos malignos, demônios e obsessores. 
Essas seriam entidades espirituais que podem nos prejudicar e sugar nossas energias. 
No entanto, muitas vezes nós mesmos somos os obsessores das outras pessoas. 
Somos os obsessores quando desejamos fazer prevalecer nossas idéias e impor nossas verdades a outrem. 
Somos os obsessores quando criticamos, julgamos o condenamos o outro sem pleno conhecimento de causa. 
Somos os obsessores quando temos ciúme e queremos obter a posse do outro. 
Somos os obsessores quando batemos o pé e forçamos o outro a seguir a nossa vontade. 
Somos os obsessores quando exigimos que o outro faça por nós algo que nos cabe fazer. 
Somos os obsessores quando desejamos vencer uma discussão, instituir nossas verdades e firmar nosso ponto de vista. 
Somos os obsessores quando burlamos o livre arbítrio alheio e o fazemos trilhar o caminho que nós julgamos correto. 
Somos os obsessores quando tentamos ajudar sem nos preocupar no que é melhor para o outro, mas sim seguindo apenas o que nós acreditamos ser o melhor. 
Somos os obsessores quando desejamos comprar o afeto das pessoas com presentes, regalias, benesses e mimos, esperando sempre algo em troca. 
Somos os obsessores quando não permitimos que o outro cresça, se desenvolva, para não se tornar melhor do que nós. 
Somos os obsessores quando fazemos tudo pelo outro e não permitimos que ele faça, erre e aprenda sozinho. 
Somos os obsessores quando vomitamos um longo falatório desordenado e fútil acreditando que o outro tem obrigação de nos ouvir. 
Somos os obsessores quando não damos espaço para o outro, o prendemos, o sufocamos, podamos seus movimentos, cobramos, oprimimos, sem permitir sua independência. 
Somos os obsessores quando acreditamos que o outro deve corresponder aos nossos padrões, nossos modelos, nossa religião, nossos costumes, nossas crenças e nosso ideal de ser. 
Somos os obsessores quando geramos milhares de conflitos, discórdias e desunião, quando criamos confusão, intrigas, fofocas e distorcemos a realidade para prejudicar o outro. 
Somos os obsessores quando dissemos uma coisa ao outro e fazemos outra, enganando, omitindo e dissimulando. 
Somos os obsessores quando vivemos reclamando e acreditamos que o outro tem obrigação de aguentar nossas lamúrias. 
Somos os obsessores quando elogiamos para manipular, louvamos para enganar, enchemos o ego do outro para confundi-lo a fazer o que queremos. 
Somos os obsessores quando fazemos do outro a nossa vida e depois ficamos magoados quando ele se afasta deixando um buraco em nosso peito, um vazio existencial e uma profunda infelicidade. 
Procure a vida em ti mesmo. Não seja mais um obsessor do outro. 
Não dependa de ninguém para ser feliz. Não fique sugando as pessoas. 
Não acredite que o obsessor é sempre o outro… 
Há sempre algo de obsessor em nós mesmos.

Barravento

Parti pro mundo enorme, precisava sobreviver
De guias, mokan, roupa alva,
Ser Yawo merece todo o cuidado
contra-egum e lenço branco no ori
Sou recém casada! "Cabeça baixa, olhos no chão 
Silêncio, mantenha a calma interior. "
Repetindo o mantra
Fui comprar uma rosa branca
Mas em troca de uma benção
a ganhei do vendedor.
Por cada rua que passava,
querendo que chegasse logo minha casa
uma legião de olhos me acompanhava.
Curiosidade, espanto, admiração
Nenhuma dessas emoções me incomodava
Mas quando senti a tal intolerância na pele
Não consegui ignorar, não.
Esperando o ônibus, deu meio-dia
E fui correndo pra debaixo de uma sombra pedir agô
Ali concentrada, me sentindo mareada
Chegou perto de mim um tal senhor.
Entre berros e palavrões, dizia que Jesus me amava
Falava sobre o sangue de Cristo, que expulsava as mazelas
Enquanto me xingava. [Todos passavam e ninguém fazia nada]
Ali parada, perdida entre a vontade de sair correndo e chorar
Pensei ser prova necessária pra alguém que acabou de iniciar.
"Qual o problema, que ninguém diz a esse homem pra parar?
Não foi Jesus mesmo quem disse que nós devemos nos amar?" Olhei pra minha rosa, e lembrei do mensageiro Verger
disse que minha religião sobrevive
Porque não impõe verdade absoluta
a ninguém que não queira ver!
Meus ancestrais não impuseram
e sob as chibatas, sobreviveram firmes.
Deixemos as pessoas serem felizes
serem livres!
Permanecendo calada e triunfante
Por ter vencido aquele sentimento ruim
Veio alguém pra me ajudar
E tirou o homem de perto de mim.
Esse último, na despedida
Disse que a palavra de Deus salvava sim (como quem pudesse me converter)
E que com o comportamento do meu opressor
não tinha nada a ver. "Respeito sua fé, moço,
todos podem acreditar - ou não - no que for.
Mas já está na hora de tirar preconceito - e o desrespeito - do caminho
que eu quero passar com a minha flor."
.
Asé ô 🙏
Texto: Thais de Oyá - Barravento
📷: @olhardeumcipo
Via @filhosdocandomble
Foto de Puro Axé.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Documentário “Exu e a Ordem do Universo” desmistifica papel da divindade no ocidente



Ainda hoje, falar de religiosidade afro-brasileira é sinônimo de polêmica. Principalmente quando o assunto é Exu, uma das divindades mais demonizadas na cultura ocidental e, mais precisamente, no Brasil. Com o objetivo de desmistificar esta imagem negativa atrelada ao Orixá, o publicitário e cineasta de São Paulo, Thiago Zanato, de 39 anos, decidiu ir para a Nigéria conhecer de perto a ancestralidade africana.
Sua viagem ao país africano deu origem ao documentário em processo de produção “Exu e a Ordem do Universo”, que é dirigido e roteirizado por ele. Junto com o paulista, somam-se ao projeto com previsão de lançamento para 2019: Marco Antonio Ferreira, como diretor de Fotografia; Danilo Santos, como editor, além de Adriana Barbosa e o cantor Nasi, vocalista da banda “Ira!”, como produtores executivos. Thiago também já atuou como diretor do documentário “La Flaca”, lançado este ano, que traz como temática o culto à Santa Muerte, uma figura sagrada venerada no México.
“Exu e a Ordem do Universo” é seu primeiro trabalho focado na ancestralidade africana?
Sim, esse é meu primeiro trabalho focado na ancestralidade africana. Antes de ser convidado para fazer parte do projeto, eu já realizava pesquisas sobre a espiritualidade sob o prisma social e político. E o curta “La flaca” já tinha um viés religioso, social e político. Foi a partir deste trabalho que surgiu o convite para fazer parte do projeto que, até então, era apenas fotográfico e começou em 2015.
Quando surgiu a ideia de produzir este documentário?
Em agosto de 2017, fui para a Nigéria fazer uma pesquisa de campo para ver se valia a pena desenvolver o projeto. Achei interessante e vi que era válido desenvolver a ideia. Comecei a desenvolver o roteiro. Em seguida, começamos a produzir o teaser que está no ar. Na época, o time era um pouco menor.
Uma das razões para eu ter escolhido Exu foi porque durante o processo de pesquisa, o primeiro livro que veio parar na minha mão era justamente sobre essa divindade. Já tinha ido a um terreiro antes, mas não era frequentador assíduo. Sempre gostei da Teologia Africana, sempre achei bem atraente, leio muito sobre, ainda frequento terreiro de vez em quando, mas não sou adepto. Posso dizer que sou apenas um admirador da religião.


Thiago Zanato é diretor e roteirista do documentário. Foto: Arquivo Pessoal

Quanto tempo duraram as gravações? O processo de produção foi muito trabalhoso?
Na verdade, as gravações não terminaram ainda, o processo está sendo bastante trabalhoso. Já acumulamos mais de 100 horas de material. Precisamos ver e rever o roteiro. É um verdadeiro vai e vem até encontrarmos a forma ideal para o filme. Há entrevistas que são em Iorubá. Então, o material acaba se tornando bastante complexo. Houve um momento especial que você elegeria entre o que vivenciou até agora?
Eu acho até difícil apontar um momento. Talvez o mais impactante tenha sido na Nigéria. Ver o jeito que as coisas são feitas lá foi bem diferente do que eu esperava. O que mais me marcou foram as relações entre as pessoas no contexto religioso. Achei a relação entre eles muito bonita. A hierarquia ali era muito horizontal, era uma união muito forte. Apesar de eu ser branco, eles me receberam de coração aberto. Fui muito bem recebido. Lá a hospitalidade é um traço bastante característico, é uma cultura muito receptiva.
Quais foram as locações?
Iniciamos gravando 15 dias na Nigéria. Em seguida, mais 15 dias em São Paulo e, em junho, iremos realizar gravações na Europa. Lá vamos fazer registros na Eslovênia, Espanha e Croácia. Nestes países, o culto aos Orixás está começando a se espalhar. Já existem alguns terreiros associados ao Oduduwa. Futuramente, iremos realizar mais gravações no Brasil, mas o local ainda não está definido.
Quem são as personalidades que contribuem com depoimentos ao longo documentário?
O filme traz alguns personagens principais. Até agora, temos depoimentos do professor Babá King, o Nasi também entra como um dos personagens, tem a Jasmina, que é Eslovena. A Yiákemi Ribeiro, que é coordenadora do Grupo de Pesquisa Estudos Transdisciplinares da Herança Africana (CNPq-UNIP) e a Tânia Vargas.
O projeto conta com patrocinadores?
Até agora, é um filme completamente independente. Estamos utilizando nossos próprios equipamentos. É um trabalho grande. Então, estamos em busca de parceiros para nos ajudar a levar o projeto adiante.
Qual seu principal objetivo ao produzir um documentário que fala de uma divindade tão controversa como Exu?
O foco é desmistificar a imagem de Exu que se tem aqui no Brasil, que é essa imagem negativa, que é associada à Magia Negra e essa coisa de desmistificar Exu é bastante delicada. Os processos que levaram a essa distorção de sua imagem ocorreram em contextos históricos de grande importância para o mundo ocidental como um todo, onde o principal objetivo sempre foi desvalorizar a imagem da cultura negra. Apesar da proximidade com a questão religiosa, esse não é o único foco do filme. Há também a questão político-social que entra no âmbito da intolerância religiosa.
Que tipos de registros foram feitos?
Na Nigéria, foram feitas entrevistas com sacerdotes, visitas a lugares históricos tradicionais que são importantes para a religião, registramos também a saída de alguns Orixás. Além disso, também captamos alguns rituais que, de acordo com eles, nunca foram filmados, como os de iniciação.
Você pretende desenvolver mais trabalhos sobre outras divindades?
Pretendo fazer outros trabalhos, pois é um universo muito rico e acho um absurdo existirem poucos filmes bem feitos e que retratem a história dessas religiões. O Brasil é muito carente nesse aspecto. Sou bastante inconformado quanto à isso. Ainda não tenho algo em mente, pois ainda estou focado neste atual projeto, mas pretendo realizar outros trabalhos direcionados a esta temática.
Como está sendo a experiência de produzir este longa?
É uma experiência enriquecedora, pois é uma filosofia muito profunda, bem vasta e me ajuda bastante no meu ponto de vista brasileiro em relação às religiões de origem africana. E me ajuda também a entender porque as religiões de matriz africana são tão mal vistas. É uma oportunidade única de descobrir de onde vieram alguns conhecimentos milenares que chegaram ao Brasil que a gente tem acesso e, ao mesmo tempo, tem medo. Acho muito bizarra toda a visão que foi construída em relação a essas religiões.
*Estagiário de Redação supervisionado pela jornalista responsável Íris Marini.
http://noticiasdeterreiro.com.br/2018/04/27/documentario-exu-e-a-ordem-do-universo-desmistifica-papel-da-divindade-no-ocidente/ 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Abiku

Abiku
A sociedade abiku é aquela que os espíritos vivem no rastro da morte.
Muito pouco se sabe sobre os abikus, inclusive, dizem que este termo não existe.
Pois bem, os abikus, ou, sociedade dos espíritos que nascem para morrer encarnam minuto a minuto na terra, mas a morte sempre segue o seu rastro, provocando algum desastre para que esse espírito volte ao Orun.

Como disse acima, pouco se sabe nos ilês sobre, e, muito se busca na África para cuidar destes.
Para alguns pais de santo, abiku mesmo é somente aquele que nasce e a mãe morre no parto, entretanto, se formos a fundo no culto africano, vamos ver que abiku tem qualidade, assim como os orixás.
Se você nasceu:
* Prematuro
* Com o cordão umbilical enrolado no pescoço
* Pelo pé
* Sem respirar
* Sua mãe teve mais de 2 abortos espontâneos
* Era gêmeo, entretanto, o irmão morreu no parto
* Nasceu e a mãe morreu no parto
* Defecou na barriga da mãe

Sim, você se enquadra na sociedade.
Justamente pela falta de conhecimento de muitos, as pessoas costumam se tratar com o povo de ifá diretamente na Nigéria, pelo culto a Egbé Orun.

O que os Abikus tem?
O rastro que a morte caminha.
Mas calma, você pode não morrer amanhã, más, algumas situações podem começar a fazer sentido, como, doenças respiratórias, doenças mentais(depressão, síndrome do pânico, etc's), caminhos fechados (saúde, finanças, amor).

Além de tudo isso, sim, os abikus passam por várias situações de risco, em que podem morrer, ou, perder algum órgão, ou até se traumatizar mentalmente.
Acredita se que caso situações assim aconteçam e ele não morra, o espírito dele irá se traumatizar a ponto de jamais querer encarnar novamente.
Os yorubás pregam que os Abikus são divinos, entretanto, se os procedimentos não são feitos, podem viver uma vida amaldiçoada.
Outros cultos como a alta magia tem estudado essa sociedade, entretanto, não conseguem explicar como os espíritos dela conseguem burlar tantas regras da espiritualidade.

Muitos filhos de santo que se enquadram nessa situação tem uma vida maldita, passando por várias dificuldades, mesmo com tudo do santo certinho e trabalhando muito para conseguir se movimentar pela vida, entretanto não conseguem nada, justamente porque não cultuam sua ancestralidade como um todo.
Isso não é uma crítica a ninguém, muita gente vai chamar de loucura, mas é bom elucidar essas coisas, pois muitas pessoas que tem esses carregos, passam dia após dia tentando crescer na vida, mas parece que alguma coisa sempre barra esse crescimento.
A recomendação é que procurem um lugar de confiança, raíz e procurem um Babalawo
Esse POST está sendo feito em vários grupos, como um alerta e chamado a investigar mais a sua ancestralidade como um todo.
Axé a todos!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Hierarquia do candomblé ketu!



Olá irmãos de axe!
quero falar um pouco sobre a hierarquia do candomblé ketu! Claro que a hierarquia pode se estender para outras designaçoões da mesma forma.
Boa leitura!
KETU
Yálorixa/Babálorixa: significado das palavras yá do yoruba significa mãe, babá significa pai. Mãe ou Pai de Santo. É o posto mais elevado na tradição afro-brasileira.
Alagbá: Cargo masculino, chefe dos Oyê (postos de Ogan). Em algumas casas é também chamado de Ogan. Pode desempenhar diversas tarefas de cunho espiritual e civil e não entra em transe.
Mogbá: Cargo masculino específico do culto a Xangô. Ministro de Xangô.
Ojú Obá: Cargo masculino específico do culto a Xangô. Olhos do Rei.

Yaegbé/Babaegbé: É a segunda pessoa do axé. Conselheiro, responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia.

Yalaxé(mulher): Mãe do axé, a que distribui o axé e cuida dos objetos ritual.

Yakekerê(mulher): Mãe Pequena, segunda sacerdotisa do axé ou da comunidade. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos iniciados.
Babakekerê(homem): Pai pequeno, segundo sacerdote do axé ou da comunidade. Sempre pronto a ajudar e ensinar a todos iniciados.

Ojubonã: É a mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação.

Yamorô: Responsável pelo Ipadê de Exu.

Yaefun ou Babaefun: Responsável pela pintura dOs Iaôs. Sendo sempre essa pessoa de Obatala.
Yadagan: Auxiliam a Yamorô.
Axogun: Ogan responsável pelo sacrificio dos animais. Sempre de Ogun!
Aficobá: Responsável pelos sacrifícios dos animais de Xangô.
Aficodé: Responsável pelos sacrifícios dos animais de Oxossi.

Yabassê(mulher): Responsável no preparo dos alimentos sagrados as comidas-de-santo.

Yarubá/Ya-Tenin: Carrega a esteira para o iniciando.
Yatebexê ou Babatebexê: Responsável pelas cantigas nas festas públicas de candomblé.
Yaba/Baba-Ewe Babalossain: Responsável em determinados atos e obrigações de "cantar folhas".

Ològun: Cargo masculino. Despacha os Ebós das obrigações, preferencialmente os filhos de Ogun, depois Odé e Obaluwaiyê.

Oloya: Cargo feminino. Despacha os Ebós das obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya.
Yalabaké: A guardiã do alá de Osaala.
Elemoxo: O guardião das coisas de Osala.

Yatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé.

Pejigan: O responsável pelos axés da casa, do terreiro. Primeiro Ogan na hirarquia.
Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados. (não entram em transe). Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Se uma autoridade de outro Axé chegar ao terreiro, o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens. No Candomblé Ketu, os atabaques são chamados de Ilú.
Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe).
Egbon: são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: irmão mais velho).
Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Terreiro do Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo", "ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil.
Yawô: filho-de-santo (que já foi iniciado e entra em transe com o Orixá dono de sua cabeça), nem todo Iaô será um pai ou mãe de santo quando terminar a obrigação de sete anos. Ifá ou o jogo de búzios é que vai dizer se a pessoa tem cargo de abrir casa ou não. Caso não tenha que abrir casa o mesmo jogo poderá dizer se terá cargo na casa do pai ou mãe de santo além de ser um egbom.
Abian: Novato. É considerado abian toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual do bori. Poderá ser iniciada ou não, vai depender do Orixá pedir a iniciação.

Sarapebê: é responsável pela comunicação do egbe (similar a relações públicas).
Apokan: responsavel pelo culto de Olugbajé.

Temos muitos outros cargos, mas creio que esses sejam os mais populares.
Aséoo
Egbon Marcos Ty Ayra

Orisá exige feitura

Nesse post quero comentar o por que o orisá pede feitura?
Em primeiro lugar nenhum Orisá exige feitura. Você faz se quiser, mas existem alguns motivos para a necessidade da feitura:
- pela questão da ancestralidade;
- pela afinidade da pessoa com o Orisá;
- o iniciando precisa da força, energia, luz, paz, saúde, axé do Orisá para que ele tenha uma vida melhor.
- entre outras coisas que podem aparecer

O que muda num filho de santo feito?
Depende. A questão da iniciação é muito íntima, mas em essência o que se espera é que a pessoa mude sua vida para melhor, saúde, conduta, comportamento etc, além de ser mais confiante, alegre, determinado,equilibrado espiritualmente, pois o orisá é vida, luz, paz, alegria, força, energia, axé!

Se o santo pedir feitura e o filho não atender, o que acontece?
Para algumas pessoas nada, mas para outros tudo!
Para algumas pessoas aumentam uma série de aborrecimentos, desequilíbrios, doenças, pesadelos, perturbações, obstáculos, problemas espirituais e sociais de toda ordem que podem levar ao suicídio, à loucura e, pior, a um sentimento de angústia íntima, de que está em falta com algo maior que si mesmo. Orisá é amor, força, luz, energia, axé!

Há prós e contras, ou apenas prós?
Para mim existem somente prós.
Para alguns, somente contras, pois vai ter que aprender a ser uma pessoa melhor, pois o Orisá vai exigir isso dele. Algumas vezes por anciedade a pessoa escolhe o zelador errado, ou a familia errada e tudo começa a complicar.

O que isso acarreta em próximas vidas?
Já que entregamos o ori a um orisá, não devemos relacionar espiritismo, umbanda com culto a Orisá, candomblé, que são coisas diferentes. Na cultura Yorubá é essencial a iniciação para que você viva melhor neste mundo e no outro. O candomble por si nao cre em reencarnação. Pelo menos nao do modo que se cre em outras.
Em casos específicos, como não ter problemas de saúde, ou morte em seu caminho, onde sua vida é plena de realizações e felicidade, e o orisá pede feitura assim mesmo, por que ele pede?
O Orisá não exige feitura. Você faz se você quiser! Mas, se a pessoa está desenganada, é suicida, apresenta constantemente sérios desequilíbrios, não consegue ter uma vida saudável, tranqüila espiritualmente, não tem esperança, a luz, a força e a energia vital necessárias para buscar uma vida melhor, a iniciação poderá ser o caminho para tudo isso.
Porque algumas pessoas estão bem de saúde e bem de vida, “bolam”(desmaiam) sutilmente, ou só vêm descobrir por acaso num jogo de búzios ou até mesmo num ebó, que a razão disso é pq o orisá está pedindo feitura?
Por exemplo: ao bolar com uma enxaqueca, uma pressão que sobe, uma alteração de leve nos batimentos cardíacos, uma tonteira... Bolam pq seu Ori pertence a um Orixá. A presença espiritual do orixá provoca o movimento da energia vital, o que ocasiona o desfalecimento da pessoa q ainda não passou pelos rituais de ligação com o orixá necessários para receber esta energia e manter-se de pé e bem.
Porque anular as “entidades” de umbanda quando fazemos o santo no candomblé?
Umbanda é a prática da caridade através das entidades ou enviados dos orixás.
Candomblé é somente culto aos orixás. Não há necessidade de se anular as entidades se a pessoa, digo, o orisá quiser atuar na umbanda. Se eu quero fazer uma oferenda e sou feita na nação, vou fazer dentro do rito de nação, sem problema algum. Se eu quero tomar um passe ou receber conselhos, vou tomar um passe com um caboclo ou conversar comum preto-velho vou dentro do rito de Umbanda.

Espiritualidade é coisa séria, é mexer com vidas, nada nem ninguem o obriga ou força a fazer nada que não queira, portanto sempre fica a seu critério tomar toda e qualquer decisão sobre sua vida, mas como dito anteriormente, tudo é cabivel sim de mudanças de acordo com suas escolhas. Orixá só entra em sua vida se voce der espaço a ele e ser iniciado é um ato de amor ao orixá e vice versa, então ninguem é obrigado a fazer nada. Quando num jogo de buzios orixá indica feitura é porque ele sabe que pode agir de forma mais intima na vida do filho e de certa forma se aproximar cada vez mais trazendo sua própria energia para a energia da pessoa e sendo assim há também uma grande doação por parte do orixá também.
Decidindo por se iniciar, procure uma casa de santo idonea, com um zelador que seja da mesma forma idoneo, veja se voce se adapta a casa e a familia de axe, assim como com o zelador. Tenha noção de que mesmo que você mude de casa ou possa de "cansar" da vida de santo, voce assume um compromisso de no minimo 7 anos e obrigaçoes para com seu orixa. Assim como você nao gostaria de ser aguçado em algo para depois ser abandonado, orixa/Nkissi/vodum tambem nao quer isso! Orixa não é um bichinho que você aviva e depois deixa lá com um potinho com agua e tudo bem!
Iniciar-se é coisa seria! Pense sempre muito bem, quando orixa quer ele faz acontecer!
Ase


 fonte facebook.com/Òmo-Orisas

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O Odù Èjìogbe

Èjìogbè
O Odù Èjìogbe fala de iluminação, bem estar geral, vitória sobre os inimigos, despertar espiritual, vida longa e paz mental.

Observação ocidental: Novos negócios ou intensificações nos negócios existentes, novos relacionamentos, ou experiências espirituais podem ser esperadas. Existe uma possibilidade de comportamento superzeloso que requer bom senso para ser superado.

Ejiogbe é o Odù mais importante. Ele simboliza o princípio masculino e, portanto é considerado o pai dos odùs. Na ordem fixada por Òrúnmìlà, Ejiogbe ocupa a primeira posição.

Em Ejiogbe, os dois lados do Odù são idênticos: Ogbe está em ambos os lados direito e esquerdo. O Odù deveria ser chamado “Ogbemeji”, mas ele é universalmente conhecido como Ejiogbe porque eji também significa “dois”. Há um equilíbrio de forças em Ejiogbe, que é sempre uma boa profecia.

Durante uma sessão divinatória, o cliente para quem Ejiogbe é divinado está buscando por paz e prosperidade. O cliente consultou Ifá porque ele ou ela quer filhos ou deseja se engajar em um novo projeto. Ifá diz que se o cliente fizer uma oferenda, todas as suas exigências serão satisfeitas e todos os seus empreendimentos serão bem sucedidos. É necessário o sacrifício para obter vitória sobre os inimigos que poderiam estar bloqueando os caminhos do cliente. Se ele ou ela tem trabalhado sem progresso ou feito negócios sem lucro, Ifá prevê prosperidade ou riqueza se a pessoa fizer os sacrifícios necessários. Em Ejiogbe, Ifá prevê vida longa desde que o cliente cuide muito bem de sua saúde.

Pessoas encarnadas pelo Odù Ejiogbe devem sempre consultar o oráculo de Ifá antes de tomar qualquer decisão importante na vida.


1 – 1 (tradução do verso)
As mãos pertencem ao corpo,
Os pés pertencem ao corpo,
Otaratara consultou o oráculo de Ifá para Eleremoju,
a mãe de Agbonniregun.
Foi pedido para ela sacrificar
Duas galinhas, duas pombas, e trinta e dois mil búzios,
a serem usadas para satisfazer o Ifá de sua criança.
Disseram que sua vida seria próspera.
Ela obedeceu e fez o sacrifício.


Owo t’ara, Ese t’ara, e Otaratara são os nomes dos três divinadores que consultaram o oráculo de Ifá para Eleremoju, a mãe de Agbonniregun (um dos títulos de louvação de Òrúnmìlà). Eleremoju estava enfrentando problemas. Ela concordou em fazer o sacrifício e satisfazer o Ifá de sua criança (ikin Ifá - dezesseis frutos de palmeira). Ela se tornou próspera porque sacrificou as coisas que Ifá prescreveu.
O sacrifício desempenha um papel essencial no sistema Yorùbá de crenças e tradição religiosa. De modo a viver longa e pacificamente na terra, espera-se que os seres humanos façam os sacrifícios necessários que atrairão boa sorte e afastarão as desgraças.


1 – 2 (tradução do verso)
Otito omifi-nte le-isa consultou Ifá para Eleremoju,
a mãe de Agbonniregun.
Ifá disse que o ikin de sua criança iria ajudá-la.
Portanto foi pedido a ela que sacrificasse
um rato awosin, uma galinha ou cabra,
e folhas de Ifá (folhas egbee, em número de dezesseis,
devem ser esmagadas na água e usadas
(para lavar a cabeça do cliente).
Ela obedeceu e fez o sacrifício.


Outro divinador, chamado Otitol omifi-nte le-isa também consultou Ifá para Eleremoju, a mãe de Agbonniregun. Ifá confirmou que o ikin de sua criança (fruto de palma sagrado) a ajudaria se ela continuasse a fazer seus sacrifícios.
Os divinadores de Ifá são também especialistas em ervas. Supõe-se que eles estejam bem fundamentados na medicina tradicional. Acredita-se que todas as plantas, ervas, e folhas do mundo pertencem a Ifá. Os conhecimentos sobre seus valores espirituais e medicinais podem ser encontrados nos ensinamentos de Ifá. Assim, em muitas ocasiões, os divinadores de Ifá prescrevem ervas e plantas para a cura ou prevenção de doenças e enfermidades. Em seu verso Odù, folhas egbee são recomendadas para lavar a cabeça do cliente (Orí), a qual se acredita controlar o destino da pessoa.


1 – 3 (tradução do verso)
Ototooto
Ororooro
Separadamente nós comemos frutos da terra.
Separadamente nós comemos imumu (fruto especial).
Nós estamos com a cabeça acima dos calcanhares em amor com Oba ‘Makin.
Todos eles divinaram para Agbonniregun.
Foi dito que se ele fizesse sacrifício, ele seria 
abençoado com filhos; ele nem saberia
o número de seus filhos 
durante e após sua vida.
Foi pedido a ele que sacrificasse 
uma cabra e folhas de Ifá.
Se ele oferecesse o sacrifício, ele deveria cozinhar folhas de Ifá para suas esposas comerem.
Ele obedeceu e fez o sacrifício. 
Folhas de Ifá: Folhas moídas yenmeyenme (agbonyin),
irugba, ou ogiri (condimentos) com cravos e outros condimentos.
Cozinhe-os juntamente com os trompas de falópio da cabra.
Coloque o pote de sopa em frente ao trono de Ifá 
e deixe que suas esposas a comam ali.
Quando elas terminaram de tomar a sopa, elas tiveram
muitos filhos.

As esposas de Agbonniregun estavam tendo dificuldade em engravidar e dar a luz. Os cinco Awo que divinaram para Agbonniregun enfatizaram a importância do sacrifício. Eles disseram que se ele concordasse em fazer o sacrifício, ele teria muitos filhos durante sua vida e após a sua morte. Adicionalmente, os sacerdotes tiveram que fazer uso de seu conhecimento sobre medicina tradicional para cozinhar folhas de agbonyin com as trompas de falópio da cabra sacrificada. Este remédio foi consumido pelas esposas de Agbonniregun antes que ele pudesse ter os filhos preditos por Ifá.


1 – 4 (tradução do verso)
Okunkun-birimubirimu consultou Ifá para Eniunkokunju.
Disseram que não havia ninguém que lhe tivesse feito uma gentileza
que ele não retribuiu com mal.
Nós pedimos a ele para sacrificar
uma alfanje e uma escada.
Ele se recusou a sacrificar,
Eniunkokunju - o nome com o qual chamamos o fazendeiro.
Todas as boas coisas que Ogede (a banana) forneceu 
para o fazendeiro não foram apreciadas.
O fazendeiro por fim decapitou Ogede.


Ifá muitas vezes fala por parábolas. Esta estória apresenta um relacionamento entre a banana (Ogede) e, personificada como alguém que foi gentil com o fazendeiro (agbe), um ingrato que retribuiu a gentileza com o mal. Não importa o quão grande seja o relacionamento, a banana é destruída ao final.
Nos tempos antigos, qualquer um encarnado por este Odù poderia ser decapitado ao fim de sua vida na terra. Em tempos modernos, isto se refere mais a “perder-se a cabeça” e pagar um alto custo.

Fonte Facebook Babá Àsògún Ivan Junior

A real história das Bruxas


Na verdade, as bruxas eram lindas mulheres, atraentes, sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia. Dominavam o uso medicinal das plantas. Eram enfim, verdadeiras cientistas fêmeas, sendo que à época de sua existência, não havia divisão entre a ciência e a religião.

As bruxas foram implacavelmente caçadas durante a inquisição na Idade Média. Um dos métodos usados pelos inquisidores para identificar uma bruxa nos julgamentos do "santo ofício" consistia na comparação do peso da ré com o peso de uma bíblia gigante. Aquelas que fossem mais leves eram consideradas bruxas, pois dizia-se que as bruxas adquiriam uma leveza sobrenatural (o que, na minha opinião, faz sentido - uma bruxa ser uma pessoa de leveza sobrenatural, tão diferente das pesadas consciências

Assim, a igreja cometeu um verdadeiro genocídio, um verdadeiro holocausto (pois as bruxas eram torturadas e queimadas vivas), motivado por intolerância religiosa e de gênero, mas isso não é contado nos livros escolares.

O que importa disso, enfim, é o bom exemplo e o legado que elas deixaram, que deve ser admirado, seguido, lembrado e divulgado, pois eram um modelo maravilhoso para as mulheres do mundo inteiro, que deveriam pesquisar mais sobre sua história a fim de conhecer um pouco de sua filosofia.

As bruxas eram, enfim, mulheres livres.
(Blog: um homem diferente)


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O TURBANTE, OJÁ DE CABEÇA OU TORÇO NO CANDOMBLÉ




O turbante como acessório integrante do vestuário religioso do candomblé é chamado de torço, ou ojá de cabeça. Sua origem remonta a época dos escravos, onde seu uso foi difundido pelas mulheres negras, sobressaindo aquelas alforriadas ou as escravas de ganho, que faziam largo uso do mesmo pelas ruas da cidade como adorno de cabeça. Seriam essas mesmas mulheres, algumas empreendedoras bem sucedidas, que engendrariam uma nova modalidade de culto as divindades africanas no Brasil, posteriormente denominada de candomblé. Lembremos que trata-se de um termo genérico, já que não abrange os regionalismos heterogêneos que caracterizam as diversas formas de veneração aos Orixás, Voduns, Inkices e Entidades.

A verdadeira origem do turbante é incerta, contudo sua introdução na África Ocidental se deu através dos árabes. No entanto sua apropriação pelas mulheres permanece um grande questionamento, já que seu uso em países do Oriente Médio e na Índia é exclusivamente masculino. No candomblé o turbante ou torço adquiri vários significados a partir da forma que apresenta-se disposto na cabeça do iniciado. 

Indicará principalmente o sexo da divindade, ou alguma particularidade da mesma. Quando apresenta abas ou "borboletas" indicará uma Yabá; quando liso ou pontudo para cima um Oboró; quando torcido, simulando uma espiral, alguma relação com Oxumarê, Yewá, ou Dã-Bessem. Dependendo da ritualidade, junto ao torço usado pelo iniciado será adicionado diversos elementos litúrgicos, como folhas sagradas, fio de contas de grau e penas de aves simbólicas.

Quando da aparição pública das divindades nas cerimônias religiosas o torço poderá ocasionalmente vir a substituir os adereços de cabeça das mesmas, mas isso não deve se transformar em um hábito constante pois descaracteriza a composição tradicional dos seus paramentos.

Imaginem o Orixá Obaluaiê sempre usando torço em detrimento ao azê, é desarmonioso, desgracioso e totalmente fora do nosso contexto religioso, que deve ser preservado e transmitido aos novos iniciados. Cada Orixá, de Exú a Oxalá, possui um adereço de cabeça particular que o individualiza e complementa o seu vestuário, a roupa de santo. Esse adereço de cabeça poderá no entanto sofrer alguma variação em função da qualidade-caminho-desdobramento do Orixá que apresenta-se. Tomemos novamente por exemplo o Orixá Obaluaiê, a palha-da-costa que compõe o azê poderá ser tingida através de elementos naturais, adquirindo assim uma nova coloração.

Poderá ser profusa e longa, ou curta. E até mesmo não haver o azê, substituído por um capacete confeccionado em palha ou em metal. Saber vestir corretamente cada Orixá em seus desdobramentos faz parte do ensinamento iniciático pois tratasse de uma herança legada pelos nossos ancestrais, é um patrimônio cultural da religião do candomblé que deve ser valorizado. No tocante ao uso do torço por sacerdotes, alguns acham uma extravagância, já que convencionou-se atribui-lo as mulheres. Mas não vejo absolutamente nada demais, já que outros líderes de outras religiões também o usam. Observem os Aiatolás, eles usam turbante.


Fonte rede social
Caruaru tambėm tem AXĖ
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Odara







Odara é uma palavra que tem origem na índia e na cultura hindu, mas que foi incorporada pela cultura brasileira por influência da cultura afrodescendente, notadamente a Umbanda e o Candomblé. Odara é um conceito de beleza que abarca o bem e o belo numa mesma ideia.

Esse significado foi incorporado pela cultura popular, tornando-se gíria e poesia. Por exemplo, temos a expressão “ficar odara”, que pode ser entendida como se arrumar, ficar bonito, se preparar para uma ocasião especial, e tanto num sentido material relativo a roupas, penteados, adereços, como num sentido espiritual, ficar bem consigo mesmo.

Nos cultos afro-brasileiros da Umbanda e do Candomblé, odara é um conceito muito importante, sendo identificado com Exu. No Candomblé, orada é o Exu do infinito, do eterno, criador de todos as coisas é o absoluto.

Já para a Umbanda odara se relaciona a uma fase do Exu, representando o momento que este não está caoticamente transitando, mas está em equilíbrio, trazendo coisas boas aos seus devotos.

Odara representa então para os cultos afro-brasileiros algo muito positivo, sendo ao mesmo tempo o criador de tudo, um guia, uma luz, e ao mesmo tempo uma energia do bem, positiva, que nos eleva e nos faz sentir coisas boas acerca de nós mesmos e de nossos semelhantes. Assim, no candomblé Odara representa o Deus todo poderoso, e na Umbanda o Deus do Bem, aquele que se opõe ao mau.